5.3.10

INDISCIPLINA E LIMITES NA EDUCAÇÃO INFANTIL

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ESTE ARTIGO FOI RETIRADO DO SITE http://www.proex.uel.br/estacao/index.php DA REVISTA ESTAÇÃO DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA DEVIDO ALGUNS PEDIDOS SOBRE O TEMA QUE É RECORRENTE ENTRE PROFESSORES E AQUELES QUE TRABALHAM COM EDUCAÇÃO.

PODE-SE TAMBÉM LER AUTORES QUE ESCREVEM SOBRE A TEMÁTICA COMO IÇAMI TIBA, ESPERO QUE AJUDE. OUTRAS SITES TAMBÉM TRATAM O TEMA COMO: http://www.webartigos.com/articles/16618/1/LIMITES-NA-EDUCACAO-INFANTIL/pagina1.html,  http://guiadobebe.uol.com.br/bb5a6/a_importancia_do_limite.htm

LIVROS SUGERIDOS: 

De La Taille, Y.(1998). Limites: Três Dimensões Educacionais. SP, Ática.

 

Piaget, Jean.(1994). O Juízo Moral na Criança. SP, Summus.

________ e Inhleder, B.(1989). A Psicologia da Criança. 10ª ed., RJ, Bertrand.

 

 TIBA, I. Disciplina: limite na medida certa. São Paulo: Gente, 1996.
 WINNICOTT, D. W. A criança e seu

 INDISCIPLINA, LIMITES E RELAÇÕES DE PODER ENTRE PROFESSOR E ALUNOS DE EDUCAÇÃO INFANTIL 


autor: Profa. Josiane Peres Ferreira; Profa. Claudia Cristina Palácio; Profa. Márcia Maria Geron Favarim 

Resumo 
Perante este artigo apontaremos a indisciplina na Educação Infantil pelos docentes como um dos principais obstáculos ao trabalho pedagógico. O objetivo deste trabalho é tentar resgatar alguns aspectos da postura do professor em relação à manipulação e a falta de limites das crianças, em específico das instituições privadas. Definir limites com os alunos, deixar claro o que é possível ser feito e em que situações eles poderão ser cobrados só auxilia em seu crescimento pessoal e em suas atividades estudantis. Um estudo foi realizado com professores da rede particular do Município de Cascavel, onde responderam questões referentes à manipulação dos alunos perante aos mesmos por terem tratamento submisso. Os resultados indicaram que existe uma submissão do professor, mas essa não está explícita por se tratar de escolas particulares onde se privilegia o aluno, ocasionando a indisciplina. Conclui-se que sustentar esses limites em princípios e valores que lhe dêem respaldo para viver com dignidade é muito importante, pois assim, é estabelecida uma relação entre professor e aluno e entre escola e família. 

Palavras-chave: escola, limites, prática docente. 

Abstract 
Before this article we will point the indiscipline in the Infantile Education for the professors as one of the main obstacles to the pedagogical work. The objective of this work is to try to rescue some aspects of the position of the professor in relation to the manipulation and the lack of limits of the children, in specific of the private institutions. To define limits with the pupils, to leave clearly what it is possible to be made and where situations they could be charged alone assists in its personal growth and its student’s activities. A study it was carried through with professors of the particular net of the City of Cascavel, where they had answered referring questions to the manipulation of the pupils before the same ones for having treatment submission. The results had indicated that a submission of the professor exists, but this is not explicit for if dealing with particular schools where if privileges the pupil, causing the indiscipline. It is concluded that to support these limits in principles and values that they give endorsement to it to live with dignity is very important, therefore, is established a relation between professor and pupil and school and family. 

Words Key: school, limits, and practical professor.

Introdução 

       Nos dias atuais muito se fala na falta de limites, aliados a vivência profissional por componentes da rede particular de ensino. Para começarmos esta discussão devemos avaliar o ambiente onde o professor atua. Vamos nos ater ao comportamento dos alunos que ignoram a autoridade do professor porque os pais induzem a verem como uma espécie de empregado ou prestador de serviços, pago por seus pais. Certas escolas agem como se a lógica do comércio, aquela que diz que o freguês sempre tem razão, também valesse dentro da sala de aula, evitando a escola perca “clientes”. Esta postura pode prejudicar o trabalho do professor que terá que se ajustar aos interesses dos alunos. 

       Apoiaremos na educação construtivista, onde o ambiente sócio-moral deve ser cultivado e o respeito continuamente praticado. Para Rheta De Vries e Betty Zan, “o ambiente sócio-moral é toda a rede de relações interpessoais em uma sala de aula. Essas relações permeiam todos os aspectos das experiências da criança na escola”. (1998, p.11). 

       O termo ambiente sócio-moral sugere as relações das crianças com seus professores ou familiares e entre elas mesmas, tendo assim um impacto sobre suas experiências e seu desenvolvimento social e moral. Para De La Taille (1992), o desenvolvimento moral das crianças depende da ação dos adultos, dos pais e dos professores na escola. 

       Dar limites às crianças na Educação Infantil é iniciar o processo de compreensão e apreensão do outro, ninguém pode respeitar seus semelhantes se não aprender quais são os seus limites, e isso inclui compreender que nem sempre se pode fazer tudo que se deseja na vida. Começando então, combater a indisciplina. O professor nas aulas da Educação Infantil constrói conhecimentos, firma habilidades, estrutura significações, desperta potencialidades, assim também estabelecendo limites. 

       Portanto é de suma importância uma análise conjunta: família e escola. E considerando que o conceito de família é complexo e varia de acordo com as culturas, neste estudo o termo utilizado refere-se a família nuclear caracterizada pelo pai, mãe ou responsável e filho (MACGOLDRICK, 1995; CARVALHO, 2003). Ou seja, sempre que se referir a “pais” está subtendido que são os responsáveis pela criança. 

       A parceria entre família e escola é necessária para detectar as possíveis falhas e tentar solucionar os problemas da disciplina. Sendo assim, com uma posição firme dos pais de encarar a disciplina como prioridade da criança neste momento, há possibilidade de uma posição pró-ativa por parte do aluno, não só no que diz respeito à escola, mas também na família. 

       Esperamos que, nesse momento social em que a mudança de comportamento é visível, este material possa auxiliar para suas reflexões e contribuir para o repensar da disciplina junto aos grupos com os quais convive e desenvolve sua ação profissional. Ressaltamos que o presente estudo é pertinente ao sistema de ensino, isto é, as escolas públicas e privadas, no entanto, o artigo abordará tal problemática apenas nas escolas privadas de educação infantil.  

       Sabemos que não temos a solução pronta e acabada, mas através dos resultados apresentados nesta pesquisa, esperamos contribuir com os profissionais que se deparam com a problemática aqui abordada. 

O Professor e a Escola Diante da Indisciplina 

       Em tempos modernos, certos princípios estão em pauta gerando preocupação sobre a ação docente perante os valores que devem ser construídos no processo educativo. Destacamos em especial a indisciplina na educação infantil e como o professor está lidando com a falta de limites em sala de aula. Para melhor compreender o assunto, é importante analisar primeiramente o significado da palavra “disciplina”. 

       Segundo o dicionário Aurélio (1999, p. 239), a palavra disciplina tem vários significados: “1. regime de ordem imposta ou mesmo consentida. 2. ordem que convém ao bom funcionamento de uma organização. 3. relações de subordinação do aluno ao mestre. 4. submissão a um regulamento. 5. qualquer ramo do conhecimento. 6. matéria de ensino”.  

       Aplicada ao âmbito escolar, a palavra “disciplina” tanto pode significar ordem como também uma disciplina ou área do conhecimento. No presente trabalho o termo sempre será utilizado para designar a ordem necessária para o bom funcionamento de uma organização, ou da escola. 

       Entretanto, o dicionário Aurélio (1999, p. 384) refere-se ao termo “indisciplina” como sendo “[...] procedimento, ato ou dito contrário à disciplina”. Para Silva (2004), o termo indisciplina é quase sempre empregado para designar todo e qualquer comportamento que seja contrário às regras, às normas e ás leis estabelecidas por uma organização. No caso da escola, significa que todas as vezes que os alunos desrespeitarem alguma norma desta instituição serão vistos como indisciplinados. 

       Para podermos aplicar no ambiente escolar a disciplina faz-se necessário que as normas básicas de convivência estejam formuladas e justificadas com clareza e sensatez, sendo conhecidas e aceitas pela escola, família e sociedade. 

       O problema da indisciplina é um dos principais obstáculos enfrentados pelo professor em sua atuação em sala de aula, pois se percebe a falta de regras e limites por parte da criança desde a primeira infância. A criança que aprende desde pequena que o mundo é feito de regras, poderá se comportar de acordo com elas, mesmo sem a presença dos pais. 

       Alguns autores (1996), Rossini (2001) e Zagury (2002) fazem referência a geração de pais que confundem autoridade e autoritarismo. Para Ferreira Junior (2006), a autoridade é tudo o que faz com que as pessoas obedeçam, sem basear-na imposição e sim no diálogo; e o autoritarismo é uma autoridade sem limite, com exagero, que torna outro passivo ou submisso às regras. Diante da confusão em relação aos conceitos mencionados, os pais optam por não colocar limites. Outros alegam que a geração de pais recebe outro tipo de modelo através da mídia e acaba sofrendo sua influência. Para essa abordagem liberal os pais estão sendo influenciados por modelos mais liberais e terminam por assumir um papel mais “moderno” de educar. 

       Sendo assim são corretas os seguintes ensinamentos do professor Içami Tiba (1996, p.43):

Cabe os pais delegar ao filho tarefas que ele já é capaz de cumprir. Essa é a medida certa do seu limite. É por isso que os pais nunca devem fazer tudo pelo filho, mas ajudá-lo somente até o exato ponto em que ele precisa, para que, depois, realize sozinho suas tarefas. É assim que o filho adquire auto confiança, pois está construindo sua auto-estima. O que ele aprendeu é uma conquista dele.

       Definir limites com os educandos, deixar claro o que é possível ser feito e em que situações eles poderão ser cobrados só auxilia em seu crescimento pessoal e em suas atividades estudantis. Também sustentar esses limites em princípios e valores que lhe dêem respaldo para viver com dignidade é muito importante, pois assim, é estabelecida uma relação entre educador e educando e entre escola e família. 

       Na obra “Pedagogia Afetiva” (2001, p.44) Rossini define que:

A complexidade da vida moderna acaba delegando aos professores papeis antes só de responsabilidade dos pais. A família de hoje conta muito com a escola, ou seja, com seus professores na formação das crianças e dos jovens. Ela precisa estar informada sobre a linha de conduta que a escola tem com seus filhos e, o que é fundamental, concordar com esta linha: é preciso falar a mesma língua. Nos dias de hoje, o professor deve ser um “líder”, deve saber também que liderança não se impõe, se conquista. Na sala de aula, ele representa a direção, a própria família. Ali ele é o “dono da lei”.

       No cotidiano escolar percebemos que o educador necessita ter qualidades humanas imprescindíveis como, por exemplo: equilíbrio emocional, responsabilidade, caráter, alegria de viver, ética e principalmente gostar de ser professor. Além é claro de ter um maior conhecimento sobre o manejo de sala e de como melhor se relacionar com o aluno. 

       Também o professor, tem um papel de mediador entre nossa realidade social e a função de educar. E esta realidade social que nos apresenta o grande desafio: viver num mundo de alto desenvolvimento tecnológico sem esquecer que estamos tratando com seres humanos em formação. 

       De acordo com Rossini (2001), crianças gostam de professores que lhe dêem limites. Os professores bonzinhos nunca serão respeitados; cairão no esquecimento com muita facilidade. Alguns professores declaram que no início de carreira se sentem inseguros ao estabelecer as regras com as crianças. Têm medo de que os alunos não aceitem as regras trazendo inúmeros transtornos para sala de aula como também para sua profissão. 

       Naturalmente, o professor não deve permitir que somente as crianças participem do processo de estabelecimento de regras, mas sim discutir o que é o estabelecimento de regras, oferecer idéias de como criá-las, fixá–las por escrito na sala de aula e envolvê-las no comprimento destas. 

       Tiba (1996, p.118) comenta que “Como todo empregado, o professor tem direitos e obrigações. Eventuais insatisfações ou desavenças empregatícias devem ser resolvidas por meio dos canais competentes”. 

       Por isso é importante que os professores adotem um padrão básico de atitudes perante as indisciplinas mais comuns, como se todos vestissem o mesmo uniforme comportamental. Esse uniforme protege a individualidade do professor. Quando um aluno ultrapassa os limites, não está simplesmente desrespeitando um professor em particular, mas as normas da escola. Portanto, faz necessário o professor ter a mentalidade aberta e acompanhar o processo de construção do conhecimento, agindo como agente entre os objetos do saber e a aprendizagem, ser para o aluno seu decifrador de códigos e receptador de suas muitas linguagens, significa estabelecer limites e construir democraticamente uma interação onde em lugar de opressão e da prepotência eleva-se a dignidade de quem educa, a certeza de quem planta amanhã. 

       Mas na prática os alunos ignoram a autoridade do professor, porque o vêem como uma espécie de empregado ou prestador de serviços, pagos pelos pais. Certas escolas agem como se a lógica do comércio, aquela que diz que o freguês sempre tem razão. Sabemos que a escola também é uma empresa, mas tratar os alunos como clientes ou patrões é uma total inversão de papéis. Nesses casos é preciso ressaltar a importância da autoridade moral do professor que, para Libâneo (2001), trata-se das qualidades de personalidades do professor: sua dedicação profissional, sensibilidade, senso de justiça e traços de caráter. Ou seja, crianças excessivamente inquietas, agitadas, com tendência à agressividade, que se destacam do grupo pela dificuldade de aceitar e cumprir as normas, às vezes, não conseguindo produzir o esperado para sua idade, representam um desafio constante para suas famílias e a escola. Por outro lado, certa dose de teimosia é normal em toda criança e faz parte do processo evolutivo infantil.  

       Portanto, queremos deixar claro que não estamos centrando exclusivamente nos professores a responsabilidade pelo comportamento dos alunos na aula, mas, não podemos deixar de acentuar que quando os professores atuam com competência profissional, unidade e coerência, sentindo-se responsáveis pelo que ocorre ao seu redor, os comportamentos inadequados ficam restritos a poucos alunos, com problemas muitas vezes de origem extra-escolar. 

       A competência profissional do professor está muito relacionada com o conceito de autoridade que, segundo Cardoso (1998), é diferente do conceito de autoritarismo. Enquanto a autoridade é indispensável para que a criança perceba seus pais e professores como figuras fortes de apoio e identificação, internalizando-os de forma positiva, como adultos capazes de auxilia-la a controlar seus impulsos destrutivos sem se sentir humilhada e com baixa auto-estima, o autoritarismo usa de promessas e ameaças para impor, à força, um tipo de comportamento à criança. 

       O ideal seria o adulto criar junto com as crianças as normas e as sanções ao não cumprimento destas normas. Além de comprometê-la, responsabiliza-a pelas conseqüências de seus atos, caso não as cumpra. É importante que ela possa cumprir a norma ou deixar de participar da tarefa até que esteja se sentindo apta a isso. Assim, o adulto a está auxiliando a tomar consciência das conseqüências de suas atitudes. Não se trata apenas de suprimir um comportamento indesejável (indução pelo medo, ou pela imposição), mas de difundir a adesão ao comportamento desejado. 

       No livro “Escola sem Conflito: Parceria com os Pais”, Tânia Zagury (2002, p.192) relata que:

Hoje, a punição é cada vez mais rara, tanto na escola como em casa. Os pais têm larga parcela de culpa no que diz respeito à indisciplina dentro da classe. É uma situação cada vez mais comum: eles trabalham muito e têm menos tempo para dedicar à educação das crianças. Sentindo culpados pela omissão, evitam dizer não aos filhos e esperam que a escola assuma a função que deveria ser deles: a de passar para a criança os valores éticos e de comportamento básicos.

       Uma solução possível seria de revitalizar a confiança da família no seu papel de formadora e trazê-la cada vez mais para dentro da instituição. Quando os pais passaram a se sentir inseguros e culpados por não estar tão próximo dos filhos, a escola tentou ocupar esse espaço. Mas ela não tem condições de fazer bem as duas coisas. Os conteúdos estão mudando rapidamente. Ao levar os pais a participar de encontros, palestras, reuniões e troca de experiências com outros pais, eles saem fortalecidos e sentem que não estão sozinhos nessa luta. 

Metodologia 

       Diante da problemática discutida até então e por ouvir reclamações de alguns professores que atuam na educação infantil, sobre o comportamento de seus alunos, optamos por realizar uma pesquisa de campo com alguns docentes da área para compreender melhor esta situação e se possível, contribuir com a melhoria de sua prática educativa.

       Assim a pesquisa exploratória de abordagem qualitativa, foi realizada com 11 professoras de educação infantil – todas mulheres – provenientes de escolas particulares de Cascavel-Paraná. A idade das participantes era de 20 a 37 anos, cuja formação constituía-se em acadêmicas e graduadas do Curso de Pedagogia. Os nomes aqui adotados são fictícios para preservar a identidade dos participantes e também as respostas serão mantidas em fiel ortografia. 

       Optamos por uma entrevista dirigida com questionário aberto em resposta a cinco perguntas. Explicamos as professoras que pretendíamos realizar um estudo sobre como o professor está lidando com a falta de limites na sala de aula e todas se concordaram em colaborar, sem hesitação.  

       Para a análise dos dados realizou-se uma leitura atente de cada entrevista, obtendo a compreensão do todo. Dos relatos obtidos proporcionamos aos professores a fazerem uma reflexão específica sobre seu papel profissional e sua trajetória com alunos indisciplinados. Visamos também proporcionar a livre expressão de idéia e vivência dos participantes em relação à experiência de solicitar e obter auxílio de um grupo de orientação. 

Resultados e Discussão 

       Para iniciar esta discussão daremos ênfase ao respeito do aluno pelo professor, pautando-nos nos estudos de autores como, Tânia Zaguri, Rheta De Vries, Constance Kamii, Betty Zan, Icami Tiba e Heloisa Szymanski, sobre os aspectos das experiências da criança na escola. Apresenta-se a seguir os questionamentos e suas respectivas análises da entrevista com as professoras participantes deste estudo. 

       Ao serem questionadas sobre sua opinião em relação à indisciplina dos alunos da educação infantil, percebemos que a maioria das professoras que participaram da pesquisa deu um enfoque no papel da “família”, que passou a delegar funções que antes eram de pai e mãe, para professores e instituição. Como foi citado pela professora Amanda: “Considerando a faixa etária da criança, acredito que é nesta etapa que se forma na criança muitos valores e eu diria regras que ele deve respeitar como bons princípios e que ela levará para sua vida. Não se pode confundir. Dar limites é necessário, a criança precisa disso. A permissividade em excesso é nociva. E tudo que se vivencia na família, reflete na escola”. 

       Estes dados levam a crer que as famílias que deveriam ajudar na formação dos valores das crianças, tornando estas a terem responsabilidades de tornar o filho (a) adaptado para o mundo moderno, proporcionando as condições para sobrevivência em uma sociedade global e competitiva. E tal idéia vai de encontro a que foi proposta por Zagury (2002, p.196) que diz: 

Há um grupo de pais que, depois de matricular os filhos parece considerar sua missão terminada e daí em diante entrega à escola toda e qualquer problemática relacionada à educação (quer se trate de conteúdo, quer se esteja falando de formação ética ou cidadania). De uma maneira geral, esses são pais ausentes, que não comparecem a reuniões quando convidados ou que, quando chamamos para entrevistas ou reflexões conjuntos, nunca podem ir.

       Por outro lado houve situações em que as causas da indisciplina dos alunos da Educação Infantil foram escolares como cita Renata uma das participantes: “A indisciplina dos alunos acontece quando há falta de interesse por não compreender a atividade proposta ou por falta de organização da “rotina” escolar, portanto é necessário o diálogo entre aluno-professor sobre os combinados de como devemos nos comportar para realizar com sucesso tal atividade, pois cada atividade exige um tipo de comportamento diferente. Nos dias atuais não é possível organizar atividades em que se exija do aluno o silêncio total e a inércia durante todo o período escolar”. 

       Entendemos que o professor tem um papel essencial como o de contribuir e viabilizar aos alunos a construção de conhecimentos nesta etapa da educação básica. Em outras palavras o professor precisa ter muita criatividade, alegria, bom humor, respeito humano e disciplina tornando assim sua aula mais atrativa.  

       Considerando que o objetivo deste estudo é conhecer como o professor está lidando com a falta de disciplina e autoritarismo por parte dos alunos, procuramos verificar se as professoras em algum momento vivenciaram situações em que seu aluno tentou manipular pelo fato de estarem pagando ou por ser escola particular. Como apresenta a professora Eliane: “Sim. Mas estes são conceitos que não partem da própria criança e sim são pensamentos que acabam sendo comentados pelos adultos e que influenciam as atitudes das crianças”. 

       Analisando as respostas das professoras a maior parte deixou explícito que a relação de poder vem dos pais. Os estudos de Rheta De Vries & Betty Zan (1998, p.55) enfatiza que:

Quando as crianças são continuamente governadas pelos valores, crenças e idéias dos outros, elas desenvolvem uma submissão (se não uma rebeldia) que pode levar ao conformismo irrefletido na vida moral e intelectual. Em outras palavras, enquanto os adultos mantiverem as crianças ocupadas em aprender o que os adultos desejam que elas façam e em obedecer às regras deles, elas não serão motivadas a questionar, analisar ou examinar suas próprias convicções.

       Já na visão da professora Vanessa o problema pode ser outro. Segundo ela, “Não casos de alunos, mas com certeza e freqüência à manipulação por parte da direção da escola”. Nos dias de hoje a escola particular tem priorizado o aspecto empresarial sendo assim o que se visa é o lucro, este lucro se chama aluno “cliente”. Portanto a direção impõe que seus professores “empregados” sejam submissos a qualquer atitude inadequada dos alunos. 

       Na questão seguinte questionava-se as professoras qual seria sua posição diante da manipulação dos alunos, de que forma agiriam e porque. Para professora Eliane: “O primeiro passo é promover uma conversa informal, com o intuito de explicar que mesmo quando pagamos, temos os nossos direitos e deveres a cumprir e que nossos direitos terminam quando começam os direitos dos outros, fazendo-se necessário o respeito mútuo entre as pessoas”. 

       Ainda que esta seja uma postura complexa essa é uma atividade que pode ser entendida e praticada de diferentes maneiras. Portanto faz necessário que a criança compreenda que existe regras e normas causando uma construção moral formando relações de reciprocidade e respeito mútuo. Conforme Kamii (2001), não se pode haver moralidade quando se considera apenas o próprio ponto de vista e ao considerar o ponto de vista dos outros, a pessoa não está mais livre para quebrar as regras. 

       As demais professoras entrevistadas não vivenciaram nenhum fato de manipulação, mas sim ouviram relatos de terceiros. Como é o caso da professora Milene: “Não vivenciei nem um fato de manipulação. Referente a meus colegas, sei que tiveram atitudes de indignação, pois não são obrigadas a acatar ordens de alunos, estão ali para passar conhecimentos, são educadores”. 

       Quando se tratou em saber a percepção das professoras entrevistadas sobre o posicionamento da escola diante dos fatos manipulativos, a escola mostrou a favor do professor ou do aluno? A maioria das professoras respondeu que a atitude da escola é primeiramente de ouvir as duas situações evitando o confronto entre alunos e professores. 

       Segundo a professora Maria Cecília: “Na maioria das vezes promove uma conversação entre aluno e professor. Porém posiciona-se a favor do aluno e “questionando” o professor “o que aconteceu?”. 

       Acreditamos que a escola deve ter uma relação harmoniosa, agindo com discernimento para resolver situações problemas para obter êxito na relação professor/aluno. 

       Portanto a fala da professora Caroline vem ressaltar: “A escola tenta em algumas vezes posicionar-se com neutralidade, ou seja, nem contra o professor e nem contra os pais. Porém, se forem pressionadas a posicionar-se, ficam sempre contra o professor, pois entendem o aluno como “clientes” e fará de tudo para agrada-lo”. 

       Nesse sentido, Içami Tiba (1996, p.120) relata que:

Um professor que trabalha numa instituição que sempre protege o aluno, o cliente, independentemente do fato de este estar ou não com a razão, não tem o respaldo da instituição quando precisa. Quem pode trabalhar bem nessas condições?.

       Os professores não são orientados de maneira adequada para explorar suas capacidades e aperfeiçoar a qualidade de seu trabalho. Desconhecem sua importância decisiva na educação dos alunos, que muitas vezes só têm a si mesmos como elementos de confiança, uma vez que a crise socioeconômica também consome seus pais. Tais professores passam a ser material de comércio e, portanto, facilmente descartáveis. 

       Concluindo a série de questões questionamos qual seria a melhor atitude a ser tomada se tivessem total autonomia diante dos fatos. A professora Caroline mencionou que: “Com severidade sem fazer distinção se o aluno paga ou não a escola”. 

       Isto posto, pode ser entendido que o posicionamento da escola impõem que o papel do professor deve ser de mediador no processo de construção do conhecimento, na construção dos valores para qualquer classe social. 

       No seu relato a professora Amanda argumentou: “A melhor atitude seria manter um diálogo aberto e de grande contribuição científica aos pais. Ou seja, levar conhecimento a eles, esclarecendo e formando opiniões críticas. Falta na escola mais constanto com os pais. É preciso traze-los para dentro do ambiente escolar. È uma forma de mostrar a eles o que a escola pretende”. 

       Cabe ressaltar que das onze professoras entrevistadas oito delas foram favoráveis em propiciar um diálogo constante entre professor, aluno e família. De acordo com Szymanski (2001), a parceria entre família e escola for formada desde os primeiros passos da criança, todos terão muitos a lucrar. A criança que estiver bem vai melhorar e aquela que tiver problema receberá a ajuda tanto da escola quanto dos pais para superá-los. Quando a escola, o pai e a mãe falam a mesma língua e têm valores semelhantes, a criança aprende sem grandes conflitos e não quer jogar a escola contra os pais e vice-versa. 

Conclusão 

       O artigo ora apresentado é resultado de uma pesquisa de campo realizado na prática com professores da Educação Infantil nas escolas particulares. Ao analisarmos o assunto concluímos a importância do professor manter uma postura profissional perante a falta de limites em sala de aula e a manipulação dos mesmos. 

       Baseado nos estudos que fizemos ficou constatado que os professores devem demonstrar segurança naquilo que estão fazendo, para serem respeitados por seus alunos desde o primeiro dia de aula. A pesquisa indicou uma relação de poder da criança influenciada pelos pais reprimindo a atuação do professor. 

       Portanto, faze-se necessário criar normas juntamente com todos os alunos e professores para serem cumpridas, e as que não forem respeitadas, o professor deve estabelecer um diálogo para saber o porquê e adapta-las. 

       Não é apenas o professor que deve estar interessado na boa disciplina, mas toda a escola como também na família, pois é na sala de aula que se ajuda a construir futuros cidadãos com personalidade, onde vão aprender a limitar seus instintos que são impulsivos e necessitam de correção desde a primeira infância.

 Referências 
 AURÉLIO Buarque de Holanda Ferreira. Aurélio Século XXI  : o dicionário da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira,  1999.

CARDOSO, Simone. Estabelecendo Limites. Porto  Alegre: editora, 1998.

CARVALHO, Inaiá Maria Moreira de; ALMEIDA, Paulo Henrique  de. Família e proteção social. São Paulo  Perspec., São Paulo, v. 17, n. 2, 2003. Disponível em:  

FERREIRA JR. Acácio de Assunção. Autoridade  ou Autoritarismo A “Didática do Comportamento”: uma  necessidade na relação Professor-Aluno. Disponível  em: http://www.artigocientifico.com.br/uploads/artc_1151279183_45.doc. Acesso  em Set/2006.

DE LA TAILLE, Yves et al. Piaget, Vygotsky,  Wallon: teorias psicogenéticas em discussão. São Paulo:  Summus, 1992.

DE VRIES, Rheta &’ ZAN, Betty. A Ética  na Educação Infantil: O Ambiente Sócio Moral na  Escola. Porto Alegre, RS. 1998.

KAMII, Constance. A Criança e o Número:  implicações educacionais da teoria de Piaget para a atuação  junto a escolares de 4 a 6 anos. 28ª ed. Campinas, SP: Papirus, 2001.

LIBÂNEO, J. Organização e Gestão  da Escola: Teoria e Prática. Goiânia: Alternativa, 2001.

ROSSINI, Maria Augusta Sanches. Pedagogia Afetiva.  4ª. ed. Rio de Janeiro: vozes, 2001.

SILVA, Nelson Pedro. Ética, indisciplina &  violência nas escolas.Petrópolis, RJ: Vozes, 2004.

SZYMANSKI, Heloisa. A Relação Família/Escola:  desafios e perspectivas. Brasília: Plano Editora, 2001.

TIBA, I. Disciplina, Limite na Medida Certa.  38ª Ed. São Paulo: Gente 1996.

ZAGURY, Tânia. Escola sem Conflito: Parceria  com os Pais. Rio de Janeiro, RJ: Record, 2002.

 

 

  1. Olha este artigo que andei lendo sobre indiscilina.

    Comentário por Lilian Cavalcante — 3.4.10 @ 19:04

  2. Goiânia, abril de 2010

    Vocês estão de parabéns. Adorei as sugestões de atividades para berçário. Gostaria de sugestões para um projeto “O corpo humano”, para crianças de 1 ano de idade. Por favor Me ajudem!!!
    Um grande abraço,
    Tatiana Nunes

    Comentário por Tatiana Nunes — 19.4.10 @ 21:06

  3. Olá será que alguem sabe alguma dinamica p trbalhar sobre limite e indisciplina?
    Obrigada

    Comentário por Fabiana — 25.8.10 @ 22:07

  4. Gostei muito,este trabalho me ajudou bastante a pensar na questão de limites na sala de aula.Beijos.

    Comentário por rozilene — 12.3.12 @ 10:01

  5. SOU COORDENADOR EM UMA ESCOLA PARTICULAR, O TRABALHO ME AUXILIOU BASTANTE, POIS ESTAMOS COM UM PROBLEMA DE INDISCIPLINA COM 2 ALUNOS DE 3 E 6 ANOS, GOSTARIA DE RECEBER MAIS SUGESTÕES DE INTERVENÇÕES QUE POSSAM TAMBÉM ENVOLVER AS FAMÍLIAS DESSES ALUNOS NO COMBATE À INDISCIPLINA.OBRIGADO…se possível, pode ser via gmail.

    Comentário por wanderly dos santos leite — 30.3.12 @ 14:14

  6. Bom dia tenho um neto de 3 anos que se chama Kauê e está muito indiciplinado, e minha filha não educa adequadamente grita com ele o dia todo e isso me irrita profundamente, e o Kauê fala direto pra mãe “vc não gosta de mim” o que será que acontece com esse menino precisamos de ajuda.

    Comentário por Ilza Santos — 1.4.12 @ 17:11

  7. Bom dia tenho uma turm do maternal que nao tem disciplina limite, ele vem de um meioonde que os pais tambem tem essa necessidade,eu preciso de ajuda para trabalha disciplina na sala de aula envolvendo os pais e algumas atividades sugerida. obrigada!

    Comentário por valquiria silva — 9.6.12 @ 9:51

  8. Sou coordenadora de uma escola e no meio do ano letivo recebemos dois alunos que são irmãos gemeos de uma outra escola onde aconteceu com eles um acidente que considero grave.Bem os gemeos estão no jardim I completou 4 anos em agosto.Eles não tem disciplina, não respeitam a ninguem,machucam, xingam já conversamos varias vezes com os pais e nada. Num dia passei mais de 2 horas junto dos pais e eles pude observar que os pais não dão om exemplo aos filhos.Como agir nesta situação onde a cultura dessa familia não ajuda no nosso trabalho que é educar os pequenos.Trabalho há 7 anos como coordenadora mas nunca me deparei com algo parecido.Claro que já tive varios problemas que consegui ajudar.Mas esse estou sem saber com resolver me ajude!

    Comentário por carine — 2.10.12 @ 16:52

  9. gostei muito deste texto, pois sou tenho alguma dificuldade com a indiciplina, mas agora ja posso começar um bom trabalho com meus alunos.

    Comentário por siomara teresa da silva — 14.10.12 @ 3:22

  10. Sou coordenadora já por 15 anos, diante de problemas de indisciplina, tenho tido maiores problemas com pais que não são bons exemplo aos filhos.Como agir nesta situação onde a cultura dessa familia não ajuda no nosso trabalho que é educar os pequenos?

    Comentário por Eleni — 14.10.12 @ 19:25

  11. GOSTEI MUITO DO ARTIGO, GOSTARIA DE ALGUMAS DINAMICAS PARA TRABALHAR A INDISCIPLINA NA EDUCAÇÃO INFANTIL.

    Comentário por Lilian Roque de Assis — 28.2.13 @ 12:36

  12. gostei muito deste texto falando sobre disciplina e limites. Por favor me envie algum material pois eu quero fazer um trabalho com os pais numa comunidade carente

    Comentário por Alice Cardoso — 15.5.13 @ 20:42

  13. indisciplina

    Comentário por esonita — 27.8.13 @ 13:24

  14. Como lidar com a indisciplina em sala de aula?

    Comentário por Augusto — 18.9.13 @ 22:21

  15. serio e objetivo em colocar suas opnioes uma pesquisa enriquecedora parabens danielan futura professora na educaçao infantil .

    Comentário por Daniela pires dos santos — 19.3.14 @ 20:06

  16. Olá
    Muito bom o artigo,pois estou com problemas com alunos de 2 a 4 anos indisciplinados,e professoras desmotivadas,já que acham que a culpa é exclusivamente dos pais,a matéria foi muito proveitosa.
    Obrigada
    Gostaria de receber mais sugestões deste tipo de artigo.

    Comentário por kellen — 24.3.14 @ 20:46

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